O lado B do desenvolvimento profissional contínuo

Sabemos que desenvolvimento profissional contínuo é essencial para quem deseja manter seu trabalho e crescer na carreira, principalmente em áreas em que há grande concorrência, como o mercado de idiomas. Hoje em dia, além de competir com outros professores e escolas que trabalham da forma mais convencional (aulas presenciais), disputamos o espaço com cursos online. Ou seja, o nosso negócio está cada vez mais concorrido, demandando mais treinamento, ousadia e criatividade para inovar, oferecer serviços diferenciados que nos destaquem em meio a multidão de professores à disposição no mercado.

É por isso que buscamos o desenvolvimento profissional contínuo. Estamos sempre alertas à oportunidades de cursos e nos interessamos por temas relacionados à melhoria de nossas aulas, do serviço que prestamos ao nosso aluno, principalmente se for algo prático e de aplicação imediata. Esse é o lado A do desenvolvimento profissional contínuo, podemos chamá-lo também de treinamento de competências técnicas, habilidades essenciais para exercício da profissão. Aumentar o conhecimento nestes assuntos certamente contribui para o progresso na profissão, porém, como fica o outro lado do desenvolvimento profissional contínuo, o lado B, aquele que cuida da evolução do professor com relação à ele mesmo, como por exemplo, cursos sobre gerenciamento de tempo, mindfulness, gestão de carreira ou como criar metas e gerar resultados?

Na minha opinião, desenvolver o lado B do profissional é uma prioridade, pois como é possível direcionar a carreira e escolher dentre as opções de treinamento de competências técnicas, sem ter noção clara dos objetivos futuros? Porém, parece que negamos a importância desse tipo de aperfeiçoamento e muito provavelmente entre os motivos se encontram os seguintes:

  • É mais difícil perceber progresso: quando aprendemos sobre ‘como melhorar nossa aula fazendo x,y,z’ a percepção de aproveitamento do curso é mais tangível, dependendo apenas do professor aplicar as novas técnicas que aprendeu.
  • Pensar demanda esforço: quando aprendemos sobre como ser um professor melhor, estamos atuando na nossa área de conforto e que gostamos de aperfeiçoar. Mas quando o foco é nós mesmos, olhar para dentro e buscar respostas é mais trabalhoso, exige parar, pensar e às vezes até mesmo ter que primeiro criar as perguntas, já que vivemos na correria intensa do dia-a-dia e nem sabemos mais se o que fazemos é porque gostamos ou se estamos apenas respondendo às demandas da vida: ‘preciso trabalhar para pagar contas, esse trabalho é bom, vou continuar fazendo’. Ninguém deve se contentar em viver fazendo algo só porque ‘paga as contas’, nossa jornada na vida não se resume ao nosso trabalho, mas à realização pessoal. É preciso deixar de viver de modo aleatório e passar a viver de forma mais planejada e consciente, em busca de um objetivo que não seja apenas pagar boletos.
  • Informação demanda ação: descobrir o que se quer da vida, encontrar propósito, viver intencionalmente e não reativamente, são situações que exigem reflexão e ação. De nada adianta entender o que queremos da vida e não tomar atitudes para realizar nossos objetivos. E quando temos clareza sobre o que queremos, é preciso mudar a realidade atual para poder criar as condições ideais para alcançarmos as nossas metas, tomar decisões e abrir mão de comportamentos e hábitos que não combinam com a nossa visão de futuro.

Pensar no lado B do desenvolvimento profissional contínuo gera um grande trabalho e muitas dúvidas, e para evitarmos qualquer tipo de frustração escolhemos simplesmente deixar ‘quieto’. Decidimos de forma inconsciente não explorar o nosso potencial profissional e de vida porque no fundo sabemos que, ao descobrirmos mais sobre nós mesmos, teremos que tomar decisões que podem nos causar algum tipo de desconforto emocional e assim, escolhemos continuar vivendo da mesma forma, com insatisfações que aparecem disfarçadas de descontentamento com o trabalho, com o chefe, com aquela turma que não se comporta, com o salário no fim do mês, mas que na verdade tem raízes muito mais profundas.

A boa notícia é que há formas de desativar esse piloto automático e promover desenvolvimento contínuo DO profissional, de uma maneira mais consciente. O primeiro passo é descobrir se a direção para onde estamos indo é realmente onde desejamos estar. Para isso, é preciso desvendar as metas, o que desejamos conquistar em longo prazo e à partir daí construirmos nossos objetivos de médio e curto prazo. Existem técnicas e ferramentas de coaching que nos ajudam a ter clareza dos resultados que desejamos atingir, ou leituras que promovem reflexão sobre o tema, como o livro “Authentic Happiness” de Martin E. P. Seligman. O autor fala sobre como encontrar a verdadeira felicidade. Se fizermos o que nos faz feliz, certamente teremos sucesso e prosperidade em nossas vidas.

Se já conhecemos o nosso propósito e queremos uma ajuda para continuar firme em busca de nossos objetivos, o livro “Força de vontade não funciona” de Benjamin Hardy é uma enxurrada de lições que nos ajudam a ter mais clareza de como conquistar nossas metas.

Porém, para promovermos uma verdadeira evolução em nossa vida e deixarmos de ser ocupados para nos tornarmos realmente produtivos, é preciso criar uma rotina que possibilite que tenhamos tempo para trabalhar o lado B do desenvolvimento profissional contínuo. Com algumas mudanças práticas no nosso dia-a-dia, como aprender a usar a agenda efetivamente e a usar recursos digitais que promovem organização na nossa vida, podemos economizar tempo precioso que perdemos com coisas não importantes e que poderia estar sendo empregado naquilo que realmente importa para alcançarmos nossos resultados.

“A maioria das pessoas é desconectada de si mesma.” Benjamin Hardy. Você quer ser mais conectado consigo mesmo? Comece desenvolvendo técnicas para gerenciar as suas prioridades, organizar a sua rotina e certamente conquistará mais resultados.